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Escritor Philippe Jaenada conquista o Prêmio Goncourt 2026 com romance policial

Escritor Philippe Jaenada conquista o Prêmio Goncourt 2026 com romance policial

O autor francês foi laureado pela mais prestigiosa distinção literária do país por sua obra que investiga um crime histórico de 1949.

Por Redação •

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O 124º Prêmio Goncourt foi concedido, nesta terça-feira (3), ao escritor Philippe Jaenada por seu romance L’inconnu du quai de Javel (O desconhecido do cais de Javel, em tradução livre), publicado pela editora Flammarion. O anúncio ocorreu em Paris, no tradicional restaurante Drouant.

De acordo com a organização, Jaenada sagrou-se vencedor com seis votos, superando Sylvain Prudhomme, que obteve três votos por De l’autre côté du lac (Do outro lado do lago), lançado pela Éditions de Minuit. O Goncourt é amplamente reconhecido como o prêmio literário mais importante da França.

Trajetória do autor

Nascido em 1964 em Saint-Germain-en-Laye, Philippe Jaenada ganhou projeção nacional inicialmente com Le Chameau sauvage, obra vencedora do Prix de Flore em 1997. Após uma sequência de romances autobiográficos, o autor direcionou sua carreira em 2013 para o livro Sulak, que aborda a trajetória de um conhecido assaltante de bancos da década de 1980.

A essa publicação seguiram-se títulos como La petite femelle (2015), La serpe (2017) — laureado com o Prix Femina — e Au printemps des monstres (2021). As narrativas de Jaenada costumam revisitar casos criminais verídicos, com ênfase em vidas arruinadas e falhas do sistema de justiça, característica que também marca L’inconnu du quai de Javel.

O enredo da obra premiada

O livro vencedor revisita um acontecimento de 6 de setembro de 1949, quando uma jovem foi encontrada morta no cais de Javel, em Paris, desprovida de bolsa e sapatos, vestida às pressas e abandonada no local por seu agressor. A vítima foi identificada no dia seguinte como Louise Cansot, modelo de grande destaque entre os pintores de Montparnasse.

Apesar de o caso ter apontado rapidamente para quatro suspeitos principais, o inspetor-chefe Ferrière viu-se compelido a arquivar a investigação após seis meses, sem realizar prisões. Setenta e cinco anos mais tarde, Philippe Jaenada reabriu o inquérito a partir dos registros de arquivo, refazendo os passos da investigação e os locais dos fatos. Para a composição da obra, o autor utilizou como referência as 75 investigações do comissário Maigret, inspirando-se nos métodos do célebre detetive da ficção.

Controvérsia na edição

A edição de 2026 do Prêmio Goncourt também registrou um episódio inédito de controvérsia. Em 25 de setembro, a Academia eliminou da primeira seleção a obra C’était ça ou mourir (Grasset), de autoria de Thélyson Orélien, em decorrência de acusações de plágio e suspeitas de utilização de inteligência artificial na elaboração do texto.

Na ocasião, a Academia justificou a desclassificação com o propósito de "preservar a integridade do prêmio". O autor haitiano-canadense rejeitou publicamente as acusações de que sua obra teria sido redigida com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial.


Fonte original: PublishNews


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