Já definiu as suas metas de leitura? A tarefa pode não ser tão simples quanto parece. Além dos clássicos da literatura nacional e estrangeira, o público leitor tem à disposição inúmeros lançamentos editados por grandes e pequenas casas editoriais.
Nos últimos anos, o mercado editorial brasileiro trouxe muitas novidades que refletem a diversidade da literatura, contemplando estilos, gêneros e temáticas variadas. Para auxiliar quem está estruturando a lista de leitura para os próximos meses, selecionamos quinze livros incríveis dos mais diversos gêneros.
Com obras de ficção e não ficção, a seleção reúne títulos vencedores do Prêmio Jabuti e outras publicações lançadas, além de criações assinadas por autores laureados com o Nobel de Literatura.
Antes de conferir as indicações, vale lembrar a importância de manter a realidade em mente: cultivar o hábito da leitura é muito mais relevante do que estabelecer listas extensas com metas inalcançáveis.
Veja as sugestões a seguir e expanda o seu repertório literário:
Solitária, de Eliana Alves Cruz, conta a história de duas mulheres negras, Mabel e Eunice, mãe e filha, que moram no trabalho, um condomínio de luxo localizado em qualquer grande cidade brasileira. Eunice, a mãe, é testemunha-chave de um crime chocante ocorrido na residência dos patrões. Mabel, a filha, constrói a trajetória que conduz não apenas à elucidação do crime, mas a uma transformação radical na vida de todos ao redor das protagonistas. Com prosa ágil, intensa e assertiva, a autora edifica uma miríade de narrativas que revolve o imaginário do trabalho doméstico no Brasil — ainda fortemente atrelado ao período escravocrata — e o conecta a questões contemporâneas urgentes, como a pandemia, debates sobre ações afirmativas e a luta por direitos reprodutivos.
A Casa de Doces, de Jennifer Egan, funciona como uma espécie de continuação do aclamado A visita cruel do tempo (vencedor do Pulitzer em 2011). Na obra, a escritora resgata diversos personagens secundários da trama anterior, começando por Bix Bouton, um empresário bem-sucedido e conhecido como um “semideus da tecnologia”. Contudo, aos 40 anos, ele se encontra esgotado e em busca de uma nova ideia, até se deparar com um debate entre professores da Universidade de Columbia e descobrir que um deles pesquisa a “externalização” da memória humana. Em 2020, a nova e perturbadora ferramenta criada por Bix, batizada de ‘Domine Seu Inconsciente’, já conquistou multidões, embora nem todos tenham se rendido aos seus encantos.
O novo romance do mestre do terror, Stephen King, intitulado Fairy Tale: O Mundo de Além (citado na obra original apenas como o novo livro de fantasia sombria), narra a trajetória de Charlie Reade, um garoto que descobre o portal para um universo inédito onde as forças do Bem e do Mal travam uma guerra. Charlie é um jovem comum que, após perder a mãe em um grave acidente, precisa aprender a cuidar de si e do pai. Certo dia, ao andar de bicicleta pela rua de casa, ele atende a um pedido de socorro originado no quintal de um vizinho, Howard Bowditch. O homem recluso e rabugento, que costumava assustar as crianças do bairro, sofre uma queda grave de uma escada. Enquanto Bowditch se recupera, o garoto passa a auxiliá-lo e, após o falecimento do vizinho, depara-se com uma fita cassete reveladora de um segredo inimaginável.
Em sua autobiografia Em Busca de Mim, Viola Davis relata sua trajetória desde a infância difícil até o estrelato, passando pelo período em um modesto apartamento na cidade de Central Falls, em Rhode Island, até alcançar os palcos de Nova York. Nas palavras da atriz, o livro representa uma reflexão profunda, uma promessa e uma declaração de amor própria. “Espero que minha história o inspire a revolucionar sua vida de forma criativa e a redescobrir quem você era antes que o mundo tentasse defini-lo”, declara a autora.
Romance estruturado em fragmentos, Uma temporada no inferno dialoga intensamente com a vida e a obra de Lima Barreto, reconstituindo o período em que discursos e práticas eugenistas uniam racismo e violência manicomial. Após a transferência dos internos do Hospício Nacional de Alienados, duas pilhas de anotações atribuídas a um paciente anônimo foram encontradas no edifício. A leitura desses fragmentos desvenda a história de um escritor que se internou voluntariamente no hospício para seguir os passos de Lima Barreto, mas que encontrou um destino trágico ao se tornar uma espécie de duplo do autor de Triste fim de Policarpo Quaresma.
O som do rugido da onça ergue uma narrativa contundente que afasta a historiografia hegemônica para conferir protagonismo a duas crianças — batizadas na obra como Iñe-e e Juri — que foram retiradas de sua terra natal. Entrelaçando elementos do século XIX ao Brasil contemporâneo, a história também apresenta Josefa, uma jovem que reconhece lacunas em seu passado ao deparar-se com a imagem de Iñe-e em uma exposição. No ano de 1817, Spix e Martius desembarcaram no país com a missão de registrar suas impressões locais; três anos e 10 mil quilômetros mais tarde, os exploradores retornaram a Munique levando consigo um extenso relato de viagem e também um menino e uma menina indígenas, que faleceram pouco tempo após chegarem a solo europeu.