Marjane Satrapi morreu aos 56 anos — Foto: Getty Images / BBC
A escritora e cineasta franco-iraniana Marjane Satrapi, que morreu em Paris aos 56 anos, foi uma importante cronista das experiências das mulheres sob as restrições políticas e sociais do regime iraniano.
Ela foi uma das poucas artistas que conseguiu incorporar a história moderna do Irã ao cenário artístico global por meio de uma narrativa inteiramente pessoal.
Com sua obra autobiográfica Persépolis, Satrapi conquistou a atenção internacional e alcançou aclamação mundial. A graphic novel narra a repressão política durante a era do xá Reza Pahlavi — que foi xá do Irã de 1941 a 1979 —, bem como os sombrios e dolorosos primeiros anos da República Islâmica, após a Revolução Iraniana de 1979.
Segundo amigos de Satrapi citados pela imprensa francesa, a morte da autora ocorreu aproximadamente um ano após a morte de seu marido, Matteo Ripa; alguns descreveram sua morte como "por tristeza".
Em uma mensagem divulgada na quinta-feira (4/6), o presidente francês Emmanuel Macron descreveu Satrapi como "uma grande artista" que transformou sua infância em "uma lenda universal".
Ele acrescentou que, por meio de "sua perspectiva infantil, seu humor, sua bondade e seus demônios interiores", ela criou "uma obra universal deslumbrante na qual os leitores se viam refletidos".
Inúmeros artistas também reagiram à morte de Satrapi.
O cartunista francês Joann Sfar escreveu no Instagram: "Você mudou o mundo com quadrinhos, e você não se importava com quadrinhos. Perdi minha irmã gêmea."
O autor franco-sírio Riad Sattouf, criador do aclamado quadrinho de memórias O Árabe do Futuro, escreveu: "Seu trabalho abriu um caminho que muitos seguiram; e, acima de tudo, eu."
Com Persépolis, Marjane explicou a Revolução Iraniana ao mundo como ninguém antes dela — Foto: Getty Images / BBC
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Por Thais M Valente •